sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Por que não eu?

A merda de amar platonicamente 

O tema pode ser batido, mas acontece a todo momento. Ontem mesmo uma amiga dizia que queria um namorado. No dia seguinte foi surpreendida por um peguete que queria falar sobre namoro como quem nao queria nada, mas como não gostava do rapaz, teve que fugir da conversa. Sua justificativa: "ele é muito legal, o adoro, temos afinidades, mas não rola química"... 

"Há sempre alguma loucura no amor.
Mas há sempre um pouco de razão na loucura" (F. Nietzche)
E é ai que tudo comeca...o que é, afinal, o amor platônico, a dor de não ser correspondida?

Até outro dia eu ouvia "Domingo no Parque",do Gil, como o maior crime ocorrido em uma música, depois de "Faroeste Caboclo" e percebi que as duas tinham algo em comum: o amor platônico. José matou João por causa de Juliana, seu amor. Assim como Jeremias tirou a vida de João de Santo 
Cristo por causa de Maria Lúcia. Mas ai o leitor vai me perguntar: "Hey, mas amar o outro que não nos ama ou simplesmente gostar nos levará à morte?". À princípio não, mas com o passar do tempo a morte será eminente, mas não real, com caixão e vela preta, a não ser que queira fazer uma cerimônia para o seu próprio coração, o principal órgão machucado na história toda. 

Ninguém morre de amores, já dizia a minha, a sua e a mãe de mais meio mundo. Mas ai fica a pergunta: "Será?". Essa semana mesmo li uma matéria da revista Super Interessante que fala exatamente de ser correspondido ou não. Um estudo de duas Universidades, uma do Canadá e outra dos Estados Unidos, publicado no jornal Psychological Science, acredita que o ser humano tem a intenção, isso mesmo, o impulso racional de se rebelar com algo que seja fora do seu controle, situações que não ache ser definitivas e que parecem impossíveis. Inclusive, na mesma pesquisa, sugerem que se não temos a negativa para o caso, ou seja, se não recebemos um "não" como resposta, insistimos até conseguir. Será que não é isso mesmo que consiste o amor platônico? Será que o que a vovó já dizia sobre estar interessado em alguém que não te quer não faz todo sentido? Estou pensando aqui que até o Crigor, nos seus momentos estrela do Exaltasamba tinha razao na música "Eu me apaixonei pela pessoa errada".


"Você tá nessa, rejeitada, caçando paixão. Eu com a cara mais lavada, digo: Por que não?..."


Por um lado, é mais fácil se conformar com algo plausível (ou não), como a sensação de que ainda pode ser feliz com aquela pessoa que insiste em te ignorar. E por outro, se o impulso for negativo, você desencana e parte pra outra. Acho que depois de ler esse texto, algumas pessoas vão se avaliar e prestar atenção se estão obedecendo aos estímulos certos e se esses estão sendo correspondidos ou não. Se desapegar de uma situação a qual está acostumado, não será fácil, mas é importante avaliar se isso é amor real ou só uma "cisminha" do cérebro. Já aviso que esse daí é cheio de mimimis pra cima do nosso coração!

O amor platônico mata, sangra e machuca, e nunca vamos entender essa relação: ele ou ela quer o fulano ou ciclana e não me quer. Continuaremos a cantar insistentemente "Por que não eu?", com o Leoni e o Herbert Viana ou "Proibida pra mim", dando ênfase naquela parte "Se não eu, quem vai fazer você feliz?", seja com o Charlie Brown ou com o Zeca Baleiro. 

Pensa bem...como a minha amiga, ao lado pode ser que haja alguém que te espere, que sofra com o coraçãozinho doente e calado por uma chance. Afinal, essa dor não se limita somente a uma pessoa e não escolhe em quem vai se instalar.



Um comentário:

  1. A ideia de não 'obter' sempre gerou uma obsessão, desde os primórdios da humanidade, talvez por mexer também com o ego do rejeitado (isso sem falar dos reais sentimentos, em muitos dos casos). É inaceitável, não ser o bastante para a pessoa deseja, em muitos dos casos, pq se acha que toda felicidade de que a pessoa desejada precisa, e a que o rejeitado desafortunado pode dar.
    Esse também é o tema do meu livro predileto (Os Sofrimentos do Jovem Werther), do meu escritor preferido (Goethe) trata, de como um amor platônico corrompe ate os mais sensatos, de como uma pessoa lúdica se torna obsessiva por conta de um sentimento rejeitado. Sou suspeito para falar, mas esse livro vale muito apena!

    Beijos
    Artur César

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Estou avaliando sua postagem...obrigada por comentar! :)